Visões de morte, ansiedade e sentido da vida: um estudo correlacional

Por Thiago Antônio Avellar de Aquino, Tiago Deividy Bento Serafim, Hermesson Daniel Medeiros da Silva, Emanuelle Leite Barbosa, Euristenes de Araújo Cirne, Fablicia Rodrigues Ferreira, Paulo Romero Simões Dantas. Universidade Estadual da Paraíba.

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[dc]E[/dc]ste artigo discute as concepções de morte dos estudantes da área de Saúde, provenientes dos cursos de Medicina, Enfermagem e Psicologia. Justifica-se na medida em que os mesmos lidam com questões pertinentes ao trinômio saúde, doença e morte. Embora a morte e o morrer tenham passado a ser suprimidos a partir do século XX, estes se encontram de forma dissimulada na sociedade atual (Kovács, 2003). Desta forma, nos cursos de Saúde as disciplinas como Anatomia e Tanatologia trazem à tona a questão da finitude, o que pode refletir diretamente na subjetividade dos estudantes em forma de ansiedade ou por meio de questões filosóficas, como a pergunta pelo sentido da existência humana. Destarte, torna-se pertinente averiguar as relações entre as diversas perspectivas da morte e o nível de ansiedade perante a morte, bem como identificar como estas visões repercutem na compreensão dos estudantes sobre o sentido da vida.

As diversas perspectivas da morte

Em seu livro História da morte no Ocidente, Philippe Ariès ([1974] 2003) faz um percurso histórico das visões de morte segundo a cultura ocidental. O autor demonstra que até o século XVIII a morte não representava temor; entretanto, com o advento do século XIX e todas as suas transformações sociais e culturais, a morte começa a ser vista como um motivo de medo.

Segundo Ariès (1974/2003), durante a Idade Média a morte era um tema familiar, constituída por uma cerimônia pública e organizada previamente pelo próprio moribundo. Ao tomar consciência de sua morte, a pessoa tomava todas as precauções necessárias para o devido sepultamento. Assim, a morte era quase sempre anunciada, já que até as doenças pouco graves eram quase sempre fatais.

Já no início do século XVIII, o homem ocidental dramatiza e exalta a morte de uma forma diferente daquela do período medieval. A partir desse período, mudam-se inclusive os ritos funerários, bem como a localização dos cemitérios, que ficavam fora das cidades. Nesse contexto histórico, os cemitérios passam a ser construídos nos pátios das igrejas e conventos. Porém, no fim do século XVIII a morte passa a ser considerada uma ruptura com o quotidiano das famílias. Assim, ela passa de algo romantizado durante a Idade Média para algo temido, entretanto excitante e curioso nos dias atuais (Ariès, [1974] 2003). Nos séculos XX e XXI a morte e o morrer ganham outra conotação, sendo concebidas como fracasso e como inimigas.

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