Sentido de vida na fase adulta e velhice

Por Cinara Sommerhalder. Universidade Estadual de Campinas.

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[dc]O[/dc] sentido de vida faz parte dos questionamentos existenciais e é uma busca constante do ser humano. A Psicologia tem uma longa trajetória de dedicação à compreensão do conceito para melhor explicitá-lo e, assim, compreender sua relação com os mecanismos de ajustamento e adaptação, contribuindo para o estudo do desenvolvimento humano e do envelhecimento.

Esta pesquisa teve como objetivo realizar um levantamento bibliográfico exploratório para buscar: as definições de sentido de vida, a evolução do conceito e as linhas de pesquisas, como as pesquisas estão sendo conduzidas e de que forma essas descobertas podem contribuir para a Psicologia do Desenvolvimento no que tange à compreensão dos mecanismos de ajustamento e adaptação na vida adulta e na velhice. As bases de dados consultadas foram: AgeLine, PsycoInfo, Lilacs e MedLine, com as palavras-chave: meaning of life, meaning in life, personal meaning e personal meaning sources.

Foram encontrados dois grandes grupos de estudos. O primeiro relaciona sentido de vida a aspectos de saúde, que compreendem doenças graves como Aids e câncer, iminência de morte, saúde mental e saúde física, e a aspectos psicológicos como estratégias de enfrentamento, afetividade, sentimentos positivos, traços de personalidade, motivação, redes de suporte, bem-estar, formação da identidade de crianças e adolescentes, responsabilidade, ajustamento psicológico diante de perdas significativas, religiosidade e espiritualidade. Os modelos teóricos estão pautados em teorias de estresse, enfrentamento, nos pressupostos de Viktor Frankl, em teorias de controle, de bem-estar, enfrentamento religioso/espiritual e depressão. O segundo grupo é mais específico, investiga as fontes de sentido na vida. Aqui, foram encontrados estudos que definem o construto e trabalham com um modelo teórico baseado nessa definição. Essa linha de pesquisa investe em estudos transculturais e construção e validação de instrumentos.

Com base nessas informações, serão apresentados relatos de pesquisas dos dois grandes grupos de investigações e as lacunas que ainda precisam ser preenchidas.

Definição do Conceito: De Viktor Frankl aos Dias Atuais

Na Psicologia, Viktor Frankl (1905-1997) foi pioneiro ao escrever e questionar sistematicamente sobre o sentido da vida. Frankl dedicou-se ao trabalho clínico-terapêutico e fundou a Logoterapia, também conhecida como Terceira Escola Vienense de Psicoterapia, ou Psicologia do Sentido da Vida, cuja premissa básica é a busca de sentido para a vida. O trabalho de Frankl é todo voltado às questões existenciais.

De acordo com o autor, não é possível ao psicólogo dar um sentido para a vida do outro, mas sim ajudá-lo a encontrar o seu próprio sentido (Sommerhalder & Goldstein, 2006). Ele propõe quatro fatores que podem levar a pessoa a encontrar um sentido para a vida: (a) A valorização do que é importante para a pessoa, ou seja, aquilo que teve significado durante a vida, desde os pequenos até os grandes eventos. As experiências de vida influenciam na forma que cada um tem de lidar com as situações. (b) As escolhas – o indivíduo é responsável por cada escolha que faz ao longo da vida, inclusive diante de situações adversas. Frankl aborda o sofrimento como uma grande oportunidade de crescimento pessoal, que, no entanto, depende de como a pessoa o enfrenta. Ela pode sucumbir à dor, ou extrair ensinamentos da situação difícil. (c) Responsabilidade – por tudo o que a pessoa faz, pelas escolhas e decisões. (d) Significado imediato – dar sentido às coisas que acontecem na vida diária, tanto as experiências positivas, quanto as negativas (Frankl, 1999).

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