Sentido de vida, esperança e futuro pessoal em adolescentes de Petrópolis (RJ)

Cleia Zanatta Clavery Guarnido Duarte. Universidade Católica de Petrópolis (UCP).

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[dc]P[/dc]arece haver algo de semelhante entre a adolescência, como de um modo geral é identificada, e a atualidade: mudanças aceleradas, imprevisibilidades, sucessão de diferentes acontecimentos em velocidade elevada, conflitos de identidade, crise de valores, necessidade de conciliar segurança e liberdade. Qualquer um desses aspectos parece caracterizar tanto a adolescência quanto a contemporaneidade e analisá-los separadamente dificultaria o entendimento de uma ou outra dimensão do tema a ser discutido.

A adolescência, geralmente, é caracterizada como uma fase de inúmeros conflitos, conquistas e riscos vividos pelo ser humano. Não raro, encontra-se apreensão por parte de pais e educadores frente à expectativa de chegada da adolescência de seus filhos ou educandos.

A produção científica em Psicologia a respeito do tema tende a se referir à adolescência como um período turbulento e conflituoso, explicando esta afirmativa com base na crise de identidade vivida pelo adolescente, que tem de se estruturar frente às exigências, nem sempre muito claras, da família, da sociedade, da cultura onde está inserido, além de ter de reorganizar percepções, frente às mudanças que acontecem em seu corpo, que não estão sujeitas ao seu controle.

Os conceitos de identidade e self promovem consistentes contribuições, para que se possa refletir sobre a adolescência e sentido de vida, pois constituem estruturas básicas da personalidade, organizadas na relação intersubjetiva Homem-mundo. Assim, numa sociedade imprevisível e arriscada, desprovida de referências coletivas sólidas e positivas, o adolescente pode experimentar a solidão, a dificuldade de estar socialmente integrado e de viver processos de socialização próprios dos contextos institucionais onde interage.

A convivência em grupo favorece ao adolescente, desempenhando a função de apoio emocional, uma vez que o grupo pode representar uma espécie de laboratório para a realização de experiências diversas, necessárias ao seu amadurecimento para a vida adulta. O grupo pode estimular a auto-avaliação do adolescente e, se essa experiência for conduzida de modo equilibrado e orientado, poderá resultar em aquisição de habilidades pessoais e sociais úteis à sua maturidade. A necessidade de encontrar uma identidade é vital para o adolescente e este exercício assume caráter dinâmico, tornando possível transitar de um papel a outro, assumindo vivências provisórias de papéis, mesmo que alguns deles sejam considerados negativos pela sociedade. Algumas vezes, esta experiência pode resultar na fixação de um papel negativo por um tempo maior, quando o caráter provisório dessa escolha inicial for percebido por pais e adultos como definitiva. Neste caso, o que prevaleceu foi a busca de alguma identidade, mesmo que negativa, no lugar de uma falta de identidade.

Considerando, segundo Bruner (1997), que o self resulta de um processo dinâmico e que integra os aspectos internos e externos que afetam o indivíduo – mundo experimentado – podemos refletir sobre a importância de uma sociedade com modelos sociais positivos, especialmente em instituições educativas permitindo, ao adolescente vivenciar experiências que caminhassem na direção da estruturação de valores, sistemas de crenças e desenvolvimento de habilidades capazes de favorecer o alcance de uma maturidade sadia e equilibrada.

A Era Contemporânea particularmente nas ciências humanas e sociais, tem sido tema de inúmeras análises e reflexões na produção científica da atualidade, denotando uma necessidade do Homem entender seu próprio tempo e seu próprio espaço de vida. É possível que esta demanda revele um desencontro do Homem com o seu tempo, dando a parecer que de alguma forma ele está mais lento do que o próprio mundo que criou.

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