Você precisa de um psiquiatra?

Por Williams Costa Cantanhede. Psiquiatra.

“Acho que você precisa procurar um psiquiatra…”.

[dc]A[/dc]nte essas palavras muitos pensariam logo: “eu não estou louco para ir a um psiquiatra”, ou “Doutor, o senhor está dizendo que meu problema é invenção da minha cabeça?” De um jeito ou de outro essas pessoas ouviriam isso como uma sentença condenatória. E você, como reagiria? Bem, caso você não partilhe dessa imagem distorcida do médico psiquiatra, parabéns! Porque, a despeito do grande volume de informações disponíveis nos dias de hoje, muitos deixam de se beneficiar da psiquiatria por conta dessas idéias preconceituosas.

Então, quem precisa de um psiquiatra? Os médicos e suas respectivas especialidades existem em função dos diferentes transtornos que agridem a saúde das pessoas. É o caso, por exemplo, do médico oftalmologista. Sem esse especialista em doenças dos olhos, um indivíduo com miopia perderia o prazer de ver um bom filme ou uma bela peça teatral. Ora, o cérebro, como qualquer órgão do corpo humano, está sujeito a adoecer. As doenças do cérebro que dizem respeito à especialidade psiquiátrica são as que acometem as funções psíquicas. Humor, vontade, percepção, pensamento, senso de orientação, capacidade de prazer, de trabalho ou relacionamento, afeto, memória, concentração ou outras, são algumas das funções mentais passíveis de sofrer algum tipo de transtorno. Alterações no humor, por exemplo, resultaria em sofrimento como a depressão. Uma pessoa com depressão reclamará da falta de vontade para trabalhar, divertir-se ou de viver; estará sujeita a insônias, a baixa ou perda da libido, a medos inexplicáveis, à diminuição da auto-estima, a prejuízos da atenção e da memória, a insuportáveis ansiedades e a perda do prazer em atividades antes prazerosas.

E mais, disfunções sexuais, ansiedade generalizada, transtorno do pânico, fobias, transtorno obssessivo-compulsivo, bulimia, anorexia nervosa, dependência de drogas e doenças clínicas relacionadas às emoções são outros problemas tratáveis pela psiquiatria. Portanto, aquela idéia que vincula a psiquiatria unicamente às psicoses (nome cientifico da “loucura”) é puro mito. Em português mais claro: é pura desinformação. A psicose é tão somente uma das inúmeras alterações mentais da competência da psiquiatria. Sem falar da importância desta especialidade na vida moderna, pois se viver é naturalmente difícil, mais difícil ainda é viver num mundo cada vez mais veloz, onde as exigências se multiplicam, a competição se tornou regra, os relacionamentos são menos estáveis, os valores estão em crise etc. Esses fatores psicossociais, somados ou não a outros, ­genético, estilo de vida ou cultural, podem influenciar no aparecimento de vários tipos de sofrimento psíquico.

Assim, se o seu médico ou outro profissional da saúde o aconselhar a procurar um psiquiatra, ele não está afirmando necessariamente que você “pirou” ou algo semelhante. Somente está lhe dizendo que algo em sua vida mental possivelmente está o impossibilitando de ter uma vida mais saudável, mais produtiva e mais prazerosa.

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