Psicologia: 50 anos de profissão no Brasil. Enquanto isso, no Maranhão…

Por Tatiana Carvalho. Diretora do Instituto Geist.

geist, psicologia, comemoração, 50 anos, brasil, maranhão, viktor, frankl

[dc]E[/dc]m 2012, comemoramos 50 anos de regulamentação da nossa profissão no Brasil. A promulgação da Lei 4.119/62, que foi seguida pelo início do período ditatorial, inaugurou uma nova fase da psicologia brasileira. Se, por um lado, a repressão impunha uma prática alienada, tecnicista e restrita da profissão recém-regulamentada, foi ela também que estimulou um movimento de resistência de alguns profissionais, marcado pela crítica às teorias importadas que não se adequavam à realidade brasileira, levando à busca por novas formas e possibilidades de atuação. Nos dias atuais, embora permaneça a multiplicidade de concepções e práticas psicológicas no contexto brasileiro, muito avançamos no que diz respeito ao compromisso com a transformação da sociedade brasileira. Nesses 50 anos de história, aprendemos que nossa atuação é política, na medida em que influencia mudanças em nosso contexto de trabalho. E que, quanto mais conscientes estivermos disso, mais poderemos contribuir à emancipação dos sujeitos a quem dirigimos nossas ações, promovendo saúde, prevenindo a alienação geradora de tanto sofrimento psíquico.

Hoje, ultrapassamos os limites do consultório psicológico e nos inserimos nos mais diversos contextos em que se constitui o humano. Aceitamos o desafio de construir uma psicologia genuinamente brasileira, que responda à necessidade de democratização da nossa sociedade. Esse não é um caminho fácil, e sim permeado por contradições, incertezas, contraposições e angústias. Mas é também o caminho ao qual somos chamados, a fim de alcançarmos a maturidade de uma profissão que sabe a que veio, que é consciente de sua missão e cuja resposta positiva leva à consumação de seu verdadeiro sentido. Enquanto psicólogos e estudantes de psicologia maranhenses, nosso desafio é ainda maior. Embora a psicologia tenha chegado ao Maranhão pelas mesmas vias que marcaram sua chegada a outras regiões do Brasil, isso aconteceu bem tardiamente, em comparação a estas. A conquista de seu espaço tem se dado de forma mais lenta.

Os primeiros cursos de graduação surgiram apenas na década de 90, e hoje totalizam 3, concentrados na capital. Poucas são as possibilidades de formação continuada na área. Daí porque tanto festejamos, também neste ano, a criação do primeiro curso de mestrado em psicologia no estado. Uma formação consistente é elemento indispensável para consolidar uma psicologia comprometida com as transformações do cenário maranhense. O Maranhão, estado com inumeráveis riquezas naturais e culturais, coleciona, contraditoriamente, alguns dos piores índices econômicos, sociais e educacionais do país. É o estado que caminha mais lento rumo ao processo de democratização que vem sendo vivenciado no Brasil. É a essa realidade que precisamos responder.

Atualmente, somos mais de 1.000 psicólogos no estado e centenas de estudantes prestes a concluírem sua formação. Vivemos um momento bastante propício para lutarmos por uma psicologia maranhense mais forte, atuante, autônoma e apta a dar sua contribuição na construção de uma sociedade mais justa e igualitária. Precisamos nos empenhar na criação do nosso próprio conselho profissional e na nossa inserção nas instâncias deliberativas de nosso estado. Temos muito a aprender com o percurso da psicologia brasileira ao longo desses 50 anos, mas temos também nossa colaboração a dar nesse cenário, ao assumirmos uma identidade profissional implicada com um Maranhão melhor.

Fonte
Informativo Nova’s – Boletim Informativo da Empresa Júnior de Psicologia da UFMA Novamente, Setembro 2012, nº 07.

[line]

Deixe uma resposta