O sentido de vida do familiar do paciente crítico

Por Adriana Braitt Lima e Darci de Oliveira Santa Rosa. Universidade Federal da Bahia.

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[dc]E[/dc]ste artigo é originado da dissertação de mestrado intitulada O sentido de vida do familiar do paciente crítico, teve como motivação a minha experiência junto à pessoas no cotidiano da Unidade de Terapia Intensiva Geral (UTI-G). Partindo do princípio de que o familiar do paciente crítico expressa emoções, valores e culturas diversificadas, buscou-se compreendê-lo como ser bio-psico-espiritual, tendo como referencial a análise existencial frankliana(1).

O despertar para o aprofundamento do tema emergiu de análise reflexiva sobre a trajetória acadêmica e vivências que marcaram a formação profissional das autoras, particularmente, acerca da experiência sobre o sentido de vida, ao perceber que esta busca e os fenômenos de sofrimento e morte estão presentes no dia-a-dia da enfermeira, dos pacientes e dos familiares.

No âmago dos cuidados na UTI, dos conflitos vivenciados por familiares destes pacientes está presente a Tríade Trágica constituída de sofrimento, culpa e possibilidade de morte, assim, foi estabelecida como questão norteadora: Qual o sentido de vida dos familiares dos pacientes críticos internados na UTI? E como objetivos: Compreender o sentido de vida do familiar do paciente crítico na UTI, diante da Tríade Trágica: culpa, sofrimento e morte; identificar os conteúdos de sentido de vida do familiar do paciente crítico na UTI.

Espera-se ao conhecer esse vivenciar, implementar na prática cotidiana conhecimentos que auxiliem ao enfermeiro que atende o familiar na sala de espera da UTI e contribuir para o ensino da enfermagem, visto que, os estudantes de enfermagem apresentam despreparo nas relações com os pacientes e seus familiares acerca de questões sobre o processo de morrer no contexto do cuidado(2).

Outro aspecto, é a escassez de trabalhos que enfoquem o sentido de vida, e particularmente o do familiar do paciente crítico, pretende-se que este estudo venha acrescentar para o conhecimento sobre a temática além de suscitar reflexões, redimensionar o olhar sobre a prática dos enfermeiros junto a essas pessoas e estimular novos estudos sobre o tema.

CONTEXTUALIZANDO A TEMÁTICA

As Unidades de Tratamento Intensivo (UTI) são serviços que reúnem, entre seus profissionais, médicos, enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem, especialmente treinados e organizados para dar assistência ao paciente clínico e cirúrgico em estado crítico. O objetivo desses centros é diminuir a mortalidade através de cuidados mais intensivos e da observação individual, contínua e integral, de acordo com as necessidades do paciente(3).

A UTI tornou-se o local mais tenso, agressivo e traumatizante do hospital, por reunir, em um só espaço, os pacientes críticos com possibilidade de morte(4). Nesse contexto, percebe-se como ponto positivo, o crescimento da tecnologia verificada em uma variedade de técnicas, medicamentos, equipamentos e procedimentos para a recuperação ou cura dos pacientes graves e, como ponto negativo, o prolongamento da vida daqueles que não têm possibilidade de recuperação(5).

A presença do familiar na UTI significa segurança para o enfermo e um cuidado fraterno. Estando sempre presente, a família sofre com a incerteza da finitude da existência do seu familiar. O sofrimento, manifestado através da insegurança, emerge em todos os níveis do viver deste familiar, em diferentes intensidades que deixam marcas diante da perspectiva do futuro e possibilidade de morte(6).

Não é suficiente permitir a visita do familiar na UTI, é necessário cuidá-lo para potencializar nosso trabalho na Enfermagem. Este cuidar do familiar significa em compreender as suas emoções, os seus gestos e falas, seus conceitos e limitações(7).

Há por parte dos familiares de pacientes críticos uma incansável busca de mensagens como uma lágrima que escorre do rosto do paciente ao ser chamado pelo apelido ou de sinais que revelem vida ou morte sem sofrimento, tais como: a cor e a abertura esporádica dos olhos em pacientes comatosos e a temperatura dos pés, além do apego a sinais vitais como a pressão arterial(8). Estas informações criam significância no universo desses familiares, revelando na maioria das vezes, a negação do processo de morrer.

O tempo de morrer tem um sentido por mais clara que tenha sido a informação sobre a gravidade do paciente. Acompanhar esse tempo, para os familiares é reconhecer os limites humanos. Seja qual for o seu amor por aquele, que está próximo da morte, não vai impedi-lo de morrer. O que a enfermeira pode fazer é não deixar que esse sofrimento seja vivido com solidão e abandono e tentar transformar esse processo em um momento solidário e humanizado(9).

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