O sentido da vida para jovens dependentes químicos

Por Renata Lemos da SilvaFelipe Schroeder de Oliveira. UNIFRA.

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[dc]O[/dc] sentido da vida, para Viktor Emil Frankl, precisa ser encontrado e descoberto pela própria pessoa, sendo a consciência a orientadora nessa busca pelo sentido. O homem busca sempre o significado para sua vida, movendo-se em prol de um sentido para viver, considerado como “vontade de sentido” (Frankl, 2005).

Existem três formas de encontrar o sentido da vida. A primeira forma seria a partir dos valores de criação, que são encontrados na ação realizada pela pessoa, enquanto criadora e enriquecedora de suas atividades. Outra forma de encontrar sentido é pela entrega à experiência de algo que se recebe do mundo ou no encontro de amor com outra pessoa, sendo considerados os valores de vivência. Caso haja a impossibilidade da criação ou do amor, pode-se encontrar o sentido da experiência de um destino imutável, pela escolha de uma atitude afirmativa da vida, fazendo surgir os valores de atitude (Pereira, 2008).

Segundo Aquino et al. (2009), a falta de sentido é a raiz do vazio existencial do homem ocidental atual, pois este busca uma vida de prazer ou êxito, esquecendo-se das metas transcendentes. O ser humano passa, então, a experienciar uma grande frustração, pois o que torna-se insuportável não é o sofrer, mas sim o viver sem um ideal. Na antiguidade, os homens buscavam na tradição um sentido à sua vida. Já na atualidade, existe uma dificuldade em acolher os valores que foram deixados ao longo da história.

Um tema debatido na atualidade e que pode representar essa situação do homem ocidental é um grave problema social e de saúde pública: a dependência química (Pratta & Santos, 2009). De acordo com Frankl (2007), a população jovem, especialmente vulnerável ao apelo das drogas, vive a síndrome da neurose de massa gerada pela falta de sentido, constituído na tríade “dependência de drogas, agressão e depressão.” O consumo de drogas é parte do fenômeno da falta de sentido, que resulta numa frustração das necessidades existenciais, tendo sido visto como um fenômeno universal (Frankl, 1991).

A dependência química

O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, DSM IV-TR (2002), traz os seguintes critérios para o diagnóstico de dependência de substâncias, que, por sua vez, devem ocorrer a qualquer momento no mesmo período de 12 meses:

1) Tolerância, definida por qualquer um dos seguintes aspectos:

− necessidade de quantidades progressivamente maiores da substância para adquirir a intoxicação ou efeito desejado;

− acentuada redução do efeito com o uso continuado da mesma quantidade de substância.

2) Abstinência, manifestada por qualquer dos seguintes aspectos:

− síndrome de abstinência característica para a substância (consultar os Critérios A e B dos conjuntos de critérios para abstinência das substâncias específicas);

− a mesma substância (ou uma substância estreitamente relacionada) é consumida para aliviar ou evitar sintomas de abstinência.

3) A substância é frequentemente consumida em maiores quantidades ou por um período mais longo do que o pretendido.

4) Existe um desejo persistente ou esforços mal-sucedidos no sentido de reduzir ou controlar o uso da substância.

5) Muito tempo é gasto em atividades necessárias para a obtenção da substância (por ex., consultas a múltiplos médicos ou fazer longas viagens de automóvel), na utilização da substância (por ex., fumar em grupo) ou na recuperação de seus efeitos.

6) Importantes atividades sociais, ocupacionais ou recreativas são abandonadas ou reduzidas em virtude do uso da substância.

7) O uso da substância contínua, apesar da consciência de ter um problema físico ou psicológico persistente ou recorrente que tende a ser causado ou exacerbado pela substância (por ex., uso atual de cocaína, embora o indivíduo reconheça que sua depressão é induzida por ela, ou consumo continuado de bebidas alcoólicas, embora o indivíduo reconheça que uma úlcera piorou pelo consumo do álcool).

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