Moralidade e sociabilidade em Frankl: um norte para superação da violência

Por Jacqueline de Oliveira Moreira, Anderson Kerley Chaves de Abreu, Marina Clemente de Oliveira. Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais.

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[dc]A[/dc] Logoterapia é considerada a Terceira Escola Vienense de Psicoterapia. Sua proposta é buscar a “cura” (terapia) por meio da introdução do sentido (logos). Viktor Frankl aparece como fundador e criador desse novo modelo de compreensão dos fenômenos humanos e de intervenção clínica. Ele se desligou das escolas freudiana e adleriana, e assim sua proposta difere, nas suas bases antropológicas, das teorias de seus mestres.

O homem, para Frankl (1978), é um ente empenhado na busca de um sentido, e nesse movimento o encontro com o outro não é apenas importante, é indispensável. A proposta de Frankl difere substancialmente da freudiana. Nesse sentido, tomaremos como ponto de referência as idéias freudianas sobre o laço social, expostas em seu texto O mal-estar na civilização, para em seguida apresentarmos as idéias franklianas sobre as bases do enlaçamento social. Freud, em O mal-estar na civilização (1930/1976), expõe a questão do sentido da vida, mas sua concepção trágica revela a dificuldade de se obter uma resposta universal para tal pergunta. No entanto, ele afirma que o sentido da vida é a busca da felicidade, entendida como busca individual. A verdadeira felicidade é repentina, toma-nos pela surpresa, sendo, portanto, mais rara. No texto O mal-estar na civilização, Freud convida Goethe para fundamentar sua posição.

Alles in der Welt lässt sich ertragen, Nur nicht eine Reihe von schönen Tagen. (Nada é mais difícil de suportar que uma sucessão de dias belos). (Goethe, 1810 citado por Freud 1930/1976, p. 95).

Já o sofrimento é mais comum, pois temos três grandes fontes de sofrimento: 1) o nosso próprio corpo; 2) o mundo externo; 3) os nossos relacionamentos com os outros homens. Para Freud, a maior fonte de sofrimento está em nossos relacionamentos. Além de assumir uma posição trágica, do ponto de vista antropológico, ele considera, em seu discurso-manifesto, a relação entre o eu e o outro como a expressão do inferno:

Em resultado disso, o seu próximo é, para eles, não apenas um ajudante em potencial ou um objeto sexual, mas também alguém que tenta satisfazer sobre ele a sua agressividade, a explorar sua capacidade de trabalho sem compensação, utilizá-lo sexualmente sem o seu consentimento, apoderar-se de suas posses, humilhá-lo, causar-lhe sofrimento, torturá-lo e matá-lo. Homo homini lupus (Freud, 1930/1976, p. 133).

Assim, o discurso freudiano considera a violência como um fenômeno inerente à condição humana. Nesse sentido perguntamos: Qual é a base da moralidade? Como é possível a socialização entre os sujeitos humanos? Como controlar o potencial originário do homem para a agressividade? Para Freud, os homens não são criaturas gentis que desejam ser amadas; pelo contrário, são criaturas nas quais se deve levar em conta, entre os dotes instintivos, uma poderosa quota de agressividade (Freud, 1930/1976, p. 133).

O processo civilizatório exige a formatação e contenção do quantum pulsional. A pulsão sexual, na sua face demoníaca, também deve ser contida. A cena edípica traduz teoricamente a contenção da sexualidade através da proibição do incesto. Mas a vivência do Édipo também possibilitará a contenção da heteroagressividade através do superego. A triangulação edípica introduz a possibilidade de encontro com a alteridade.

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