Integração social e sentido de vida em estudantes universitários brasileiros

Por Joilson Pereira da Silva (UFS), Thiago Antônio Avelar de Aquino (UFPB), Suéllen Alencar Melo (UEPB), Bruno Figueiredo Damásio (UFRS).

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[dc]O[/dc] homem é um ser gregário. Nasce em uma sociedade, convive com seus semelhantes e desenvolve seus potenciais em uma determinada cultura ou comunidade humana. Sua missão na vida é transcender de si mesmo em direção ao mundo social, uma vez que nenhum homem é uma ilha. Socializar com a família e as instituições torna-se crucial para o processo de construção como pessoas.

Desta maneira a integração social é fundamental para o desenvolvimento do ser humano, como diz Römmetveit (1983, p. 101), “atribuir sentido ao mundo por meio da linguagem ordinária é uma atividade inerente orientada até o outro”. Esta é uma concepção similar a utilizada por Chambo (1997) quando afirmou que a integração social propicia apoio social, o qual promove o bem – estar psicológico.

Neste sentido, quando o autor averigua o conceito de integração social de Durkheim, este observa como se dá a freqüência e a intensidade dos contatos sociais. Deste modo, a integração social ocorre através de um comprometimento que as pessoas possuem com a ordem social e exercem controle sobre o comportamento dos indivíduos. Estes contatos também aumentam o sentimento de pertencer à sociedade, afetando positivamente a saúde dos indivíduos.

Em seu livro O Suicídio, Émile Durkheim (2005), destaca as relações entre suicídio com os níveis de integração, as normas sociais e as instituições sociais. Nesta obra delineia a análise dos fatores sociais que predispunha a os sujeitos a atentar contra sua própria vida, seja de forma direta ou indireta. Neste sentido, para este autor o suicídio é definido como “toda morte que resulta mediada ou imediatamente de um ato positivo ou negativo realizado por sua própria vítima” (DURKHEIM, 2005, p.13). Este autor hipotetiza que a causa do suicídio não está motivada pelo próprio indivíduo, mas determinada exclusivamente pelo nível de integração na sociedade. Desta forma, Durkheim enfatiza que as causas sociais levam o indivíduo a cometer o ato de suicídio. Portanto, no momento em que a sociedade é perturbada por alguma crise, seja de ordem prejudicial ou benéfica, torna-se incapaz de exercer a sua ação reguladora sobre os homens, para restringir as suas paixões e promover os seus afetos. Assim, a ausência de regulação leva os homens a um sofrimento gerado pela falta de saciedade de seus desejos, condição na qual são produzidos sentimentos coadjuvantes para a concretização do ato suicida (DURKHEIM, 2005).

Por outro lado, Frankl diferencia suas afirmações comparadas as de Durkheim, ao enfatizar a integração do ser humano no mundo dos valores, dado que estes são os que vinculam o homem com o mundo, pois o homem como afirma o existencialismo é um ser no mundo. Deste modo, a análise existencial de Frankl enfatiza a relação do sujeito – mundo, em como a tensão existencial do homem entre ser e dever ser. Desta forma, a Logoterapia concebe que o mundo é constituído por valores objetivos onde o ser humano possui uma missão de encontrar e realizar os valores que estão latentes nas situações. Assim, quanto mais o indivíduo se sente privado de sentido na vida, maiores são as probabilidades para o desespero existencial e as ideações suicidas. Neste sentido, o vazio existencial para Frankl (1990) é descrito como um sentimento que se instala no indivíduo ocasionado pela falta de sentido de vida, deixando a pessoa em um profundo tédio e com a sensação de que a vida não possui valor.

O estado de vácuo existencial também foi ressaltado por Kant, quando afirmou que “o vazio de sensações percebido em si provoca como que o pressentimento de uma morte lenta” (apud FRANKL, 1978, p. 20). Na prática clínica, Frankl considera que “os pacientes buscam aos psiquiatras porque duvidam do sentido de sua vida ou porque perderam mesmo toda a esperança de encontrá-lo” (FRANKL, 1989, p.6). Além disso, estima-se que 20% das patologias se derivam da perda do significado da vida (FRANKL, 1989).

Outra conseqüência do vazio existencial é uma neurose específica. Quando o vazio existencial assume uma proporção patológica é denominado de neurose noogênica, o que pode ser também denominada de conflitos da consciência moral e crises existenciais. Esta neurose por sua vez se diferencia das demais psicogênicas e somatogênicas, tendo em vista que “não se trata simplesmente de uma reação psíquica a uma restrição externa de possibilidade de sentido, mas da manifestação de uma restrição interna da capacidade ou disponibilidade para perceber possibilidades de sentido e realizá-las” (LUKAS, 1990, p. 91).

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