Finitude e Sentido da Vida: do torpor à tarefa

Por Diogo Arnaldo Corrêa e Cláudia Monti Duque Rodrigues. Universidade Braz Cubas de Mogi das Cruzes.

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[dc]S[/dc]e há algo que é certo para o ser humano, numa perspectiva fenomenológica, é a sua finitude. Ao longo de sua vida, o ser humano se depara com experiências que registram desafios e situações inevitáveis, contrastadas pela temporalidade e pelo fim que o surpreendem e lhe cobram uma posição.

O termo finito, conforme Abbagnano (2007), tem significações que podem corresponder aos sentidos de infinito. Na perspectiva de Hegel, o infinito é a própria realidade enquanto potência ilimitada de realização, ao passo que finito é algo que não tem potência o bastante para realizar-se. Por esta ótica, o finito é irreal e encontra realidade somente no infinito e como infinito.

E em Heidegger, o caráter finito da vida é compreendido na perspectiva que qualquer projeto de mundo do ser humano já se encontra dominado pelo próprio mundo, o qual limita as possibilidades projetáveis, ou seja, devido à facticidade, são subtraídas do Ser-aí outras possibilidades (Abbagnano, 2007).

Finitude é, portanto, um termo abstrato correspondente a finito que, por sua vez, é a qualidade própria do ser humano e de suas possibilidades. Isso indica que toda filosofia da existência é também do finito, porque toma a existência em termos de possibilidades condicionadas.

Nessas possibilidades, se inscrevem a temporalidade e a morte enquanto aspectos drásticos, numa mirada superficial, considerados pelo homem como limitações e razões para seu sofrimento e angústia.

De alguma maneira, essas noções são adequadas, pois expressam realidades que o homem não requer para si, partindo do ponto de vista que busca autorealizar-se e descobrir os caminhos para sua felicidade.

Todavia, existir sem a reflexão acerca da finitude pode resultar numa vida sem sentido. Afinal de contas, a única certeza que todo ser humano possui é que, um dia, sua vida será levada a termo. E antes disso ocorrer, ele experimentará inúmeros eventos que apelarão para suas capacidades mais profundas de superação.

Se a vida não fosse finita, cada ação poderia ser adiada até o infinito. Nesse sentido, a temporalidade e a morte obrigam o homem a encarar a vida em aspectos de irrepetibilidade e unicidade. Por isso, o homem deve contentar-se de forma consciente com a finitude, e não deve separar a temporalidade e a morte da vida (Frankl, 1946/2010).

Moreira e Holanda (2010) destacam a finitude não como um acréscimo à vida humana, mas como parte do seu sentido. Por isso, é possível compreender no caráter irreversível da vida a fundação essencial do seu sentido. A finitude é, portanto, uma potência para a descoberta do sentido da vida.

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