Estudo normativo com o Pfister: uma amostra da região nordeste brasileira

Por Anna Elisa de Villemor-Amaral, Giselle Pianowski, Clênia Maria Toledo de Santana Gonçalves. Universidade São Francisco.

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[dc]F[/dc]az parte do cotidiano informal do brasileiro escutar frases do tipo “Vivemos em um Brasil de muitos brasis”. Certamente, o Brasil é uma terra de grandes proporções físicas e com isto uma convivência marcada pela diversidade. Mas de qual diversidade se fala? Logo de início, pode-se apontar para a grandeza do seu espaço físico e geográfico, para a diferença quanto aos seus aspectos climáticos e para as mais variadas influências culturais. Ainda nesta direção, conta-se, amiúde, com uma convivência cultural de extrema diversificação, sendo aqui lembradas pelas mais variadas formas de expressão em termos de costumes, hábitos, linguagem, entre outras, que apresenta o homem brasileiro nas diversas regiões e sub-regiões por ele habitadas, observando-se conseqüentemente diferenças nos comportamentos (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, 2006).

O campo atual da Avaliação Psicológica encontra-se marcado, notadamente, pela necessidade de constantes estudos e atualizações dos instrumentos de que dispõe – métodos e técnicas psicológicas – visando estabelecimento de normas adaptadas à cultura do seu meio imediato. Entende-se, portanto, que há um grande desafio no sentido de se realizar constantemente pesquisas que procurem verificar e compreender questões culturais específicas que se reflitam no desenvolvimento e funcionamento psicológico, bem como identificar instrumentos que sejam sensíveis a essas mudanças, visto que o uso inadequado de um instrumento psicológico põe em cheque a qualidade do trabalho do psicólogo, enquanto categoria profissional, questiona sua idoneidade e sua ética e, de modo ainda mais grave, pode colocar em risco a qualidade das intervenções feitas com base em resultados equivocados (Anastasi , 1997; Anastasi & Urbina, 2000; Anastasi, 2007; Primi, 2005).

Nesse sentido, trabalhos de referência e normatização de técnicas de avaliação são essenciais para que as interpretações sejam fidedignas ao contexto em que cada uma será utilizada, supondo-se que diferenças de comportamentos determinadas pela cultura podem eventualmente alterar os desempenhos esperados. Segundo Urbina (2007) é essencial a fidedignidade tanto dos escores, como dos itens, porém, é, sem duvida, de grande importância a adaptação ao contexto a ser utilizado, o que é resultado de estudos referenciais de onde normas são geradas para interpretações confiáveis.

Hutz e Bandeira (1993) enfatizaram as discrepâncias quanto à quantidade de instrumentos nacionais e internacionais que eram utilizados em nosso meio e ainda ressaltavam a falta de estudos normativos que gerassem referências para os diferentes contextos. Embora o panorama tenha mudado nos últimos anos com o aumento de pesquisas na área de avaliação psicológica, Primi e cols. (2005) lembram que no Brasil ainda é escassa a realização de estudos periódicos com o objetivo de revisar, atualizar dados, ou ainda que se preocupem com uma sistematização e padronização regional de instrumentos de avaliação psicológica.

Se, de forma geral, a dificuldade para se normatizar um teste psicológico é grande, no que concerne às técnicas projetivas essa dificuldade potencializa-se devido às suas características intrínsecas, já que compreendem estímulos relativamente não-estruturados que permitem uma grande variedade de respostas (Anastasi & Urbina, 2000). Ainda assim, o Conselho Federal de Psicologia (CFP, 2003) desde a emissão da Resolução 002/03, exige que os manuais de técnicas projetivas apresentem sistemas precisos de classificação e interpretação dos escores, e deixem bastante claros os procedimentos de aplicação e análise de modo a garantir a precisão dos resultados. Se o sistema for referenciado à norma, essa deve ser também relatada de forma objetiva e detalhada. Observa-se um empenho atual por parte dos pesquisadores desses métodos em fazer valer tais exigências, disponibilizando assim um material útil e confiável, como se pode constatar em publicações recentes (Villemor-Amaral & Werlang, 2008), mas há muito a ser feito nesse sentido.

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