Estrutura da personalidade em Frankl: introdução aos conceitos de psíquico, espírito e liberdade

Por Jacqueline de Oliveira Moreira, Marina Clemente de Oliveira e Anderson Kerley Chaves de Abreu. Pontifícia Universidade Católica/MG.

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[dc]F[/dc]az-se necessário começar o texto apresentando o conceito de personalidade que norteia nossa leitura, a fim de chegarmos a uma compreensão da estrutura da personalidade, bem como evitarmos problemas metodológicos no estudo dos conceitos de psíquico, espírito e liberdade no interior da teoria frankliana.

A psicologia da personalidade, em sua origem, enfrenta uma dificuldade epistemológica por não ter se adequado prontamente aos procedimentos positivistas, o que atingiu também a psicologia clínica. Isto considerando até mesmo o fato de os estudos sobre a personalidade terem se iniciado juntamente com a observação clínica, tradição inaugurada por vários autores, dentre eles Freud com o seu atendimento às histéricas.

Nesse sentido, faz-se necessário descobrirmos leis e princípios universais sobre o desenvolvimento, organização e expressão da personalidade, não nos esquecendo, evidentemente, de que o objeto da teoria da personalidade é uma manifestação individual. Assim, recorremos a Allport (1973), visto que o autor anuncia esse dilema: já que a psicologia da personalidade é uma ciência, deve estudar leis universais, mas a personalidade só pode ser encontrada sob forma individual.

A personalidade é um fenômeno universal, embora encontrada apenas sob formas individuais. Como é um fenômeno universal, a ciência precisa estudá-lo; no entanto, não pode estudá-lo corretamente a não ser que procure a individualidade. Mas a psicologia da personalidade não pode utilizar apenas generalidades, ou apenas individualidade, devendo ocupar uma posição intermediária. Allport (1973) conclui que a psicologia da personalidade não pode ser exclusivamente nomotética, nem exclusivamente idiográfica.

Assim, a saber: a psicologia da personalidade vincula-se, de um lado, ao universo da psicologia diferencial, dos estudos idiográficos, mas, de outro, não pode negar sua aproximação com as ciências nomotéticas. Nesse último universo, a psicologia da personalidade enfrenta impasses metodológicos. Nesse sentido, Allport (1973, pág – 50) revela-nos personalidade como uma organização dinâmica, no indivíduo, de sistemas psicofísicos que determinam seu comportamento e seu pensamento característicos (ALLPORT, 1973. p.50).

Essa definição não deixa dúvidas de que a personalidade é uma organização dinâmica presente no indivíduo e que, portanto, refere-se à singularidade. Mas, por outro lado, não podemos abandonar a pretensão universalizante, pois o universo teórico exige a transmissão e comunicação do saber. Esses problemas metodológicos são difíceis, mas não insolúveis. A personalidade só se manifesta individualmente, dificultando, assim, a investida científica nesse objeto. Nesse sentido, a pesquisa clínica parece bastante promissora no campo do estudo da personalidade. Por outro lado, é inegável a contribuição das pesquisas experimentais no campo da personalidade.

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