Correlatos valorativos da culpa

Por Thiago Antonio Avellar de Aquino, Ana Elizabeth Araújo Luna, Anna Luzia de Oliveira, Daysse Beserra Costa, Fernanda Loureiro Marinho, Mariângela Zulmira Lira de Souza Sales Rocha, Mirela Dantas Ricarte, Natália Macêdo Pinheiro, Ramon Xavier de Paiva. Universidade Federal da Paraíba.

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[dc]S[/dc]egundo o Novo Dicionário Aurélio, a culpa está associada a conduta negligente ou imprudente, a delito, a falta voluntária a uma obrigação, a transgressão de preceito religioso e a ação ou omissão prejudicial (FERREIRA, 1986). Indubitavelmente, o sentimento de culpa é um dos fatores que pode retirar o bem-estar psicológico do ser humano. Por esse motivo é que muitas pessoas consideram a presença da culpa nas suas vidas como algo que causa maior sofrimento que outros sentimentos, como a ausência de amor (BOSS, 1972/1988). Não obstante, as inibições culposas, de acordo com Boss (1972/1988), têm freado a agressividade dos animais, do contrário, a vida humana estaria extinta.

Autores como Ros (2006) pensam que a falta de cumprimento dos valores morais pode levar ao sentimento de culpa. O presente estudo parte do pressuposto de que a estrutura valorativa dos indivíduos pode influenciar significativamente na percepção da sensação da culpa.

Ademais, a presente pesquisa se justifica tendo em vista que a escassez de pesquisas sobre a temática, pois a mesma foi reduzida, na atualidade, a um sintoma da depressão. Assim, a relevância do estudo é indubitável, uma vez que pode oferecer subsídios empíricos para a compreensão deste fenômeno.

Culpabilidade: um fenômeno humano

Wright (1971) define a culpa como “uma condição emocional desagradável diretamente seguida à transgressão, que persiste até que algum tipo de equilíbrio seja restaurado por reparação ou confissão e perdão e que independe de que outros saibam da transgressão” (p. 103). Scliar (2007) aponta a culpa como tendo vários significados. Esta, por sua vez, tende para o sentimento, uma vez que este não é primitivo ou tão visível como as emoções e, por ser atributo da espécie humana, convive mais com o pensamento do que as emoções.

A culpa é compreendida de forma geral sob três aspectos: objetiva, subjetiva e temporal (AQUINO & MEDEIROS, 2009). Em relação a esta última, de acordo com Tournier (1985), a culpa pode ser gerada a partir de uma má administração do tempo. Já Collins (2004), admite duas categorias fundamentais: culpa objetiva e culpa subjetiva. Dessa forma, a culpa objetiva ocorre quando alguma lei é quebrada e o transgressor é considerado culpado. Já a culpa subjetiva pode ser considerada como o sentimento de culpa, remorso, vergonha ou auto-condenação.

A cultura hebraica já representava este mal-estar por meio da transgressão de Adão e Eva, quando estes violaram o interdito de comer o fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal. Num contexto religioso, a culpa seria conseqüência pessoal de uma transgressão de uma lei divina. Entretanto, o conceito de transgressão muda de cultura para cultura. Por isso, a necessidade de se estabelecerem códigos morais, os quais seriam considerados como desencadeadores de uma verdadeira cultura da culpa Já a punição seria uma maneira de manter os padrões de conduta, evitando possíveis desvios. Assim, os mecanismos psicológicos que provocam a culpa encontrariam um reforço externo poderoso (SCLIAR, 2007).

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