Avaliação de uma proposta de prevenção do vazio existencial com adolescentes

Por Thiago Antonio Avellar de Aquino (UFPB), Joilson Pereira da Silva (UFS), Ana Thaís Belém de Figueirêdo (UEPB), Érica Tailane Silva Dourado (UEPB), Estefânia Coeli Santos de Farias (UEPB).

Xadolescente, existencialismo, logoterapia, motivação, vazio existencial, viktor frankl, pdf

[dc]O[/dc] presente estudo teve como objetivo validar uma proposta de prevenção do vazio existencial em um grupo de estudantes adolescentes. Nesse sentido, teve o intuito de fomentar uma sensibilização no que se refere à busca de sentido e, por conseguinte, prevenir a sensação de falta de sentido na vida, tendo por base a teoria da logoterapia e a análise existencial de Viktor Emil Frankl. O artigo se justifica na medida em que discorre acerca de um fenômeno típico da adolescência: a preocupação com um sentido para a vida. Tal inquietação, quando não encontra uma resposta, pode ocasionar o sentimento de que a vida não possui valor (Frankl, 2003a, 2005), pois, como assevera Frankl (1990), “na realidade, mais e mais pacientes nos procuram por sofrerem um vazio interior que tenho descrito de vazio existencial” (p. 14). O presente estudo, portanto, é considerado relevante para o desenvolvimento de programas preventivos junto aos adolescentes, e pode contribuir com o aumento da sua qualidade de vida e bem-estar psicológico.

Logoterapia e análise existencial

A logoterapia é uma aplicação da analise existencial, elaborada pelo escritor e psiquiatra vienense Viktor Emil Frankl (1905/1997). Esse autor concebeu a modalidade de psicoterapia por via do sentido da existência humana já na década de 30, e, por ocasião da II Guerra Mundial, validou pessoalmente suas concepções teóricas nos campos de extermínio nazista como prisioneiro comum, registrando-as, após a sua libertação, em seu livro Ein Psycholog erlebt das Konzentrationslage (Um Psicólogo no Campo de Concentração). O temo logoterapia deriva de logos, que significa sentido, e o termo terapia (θepαneia), cura ou cuidado, sendo a cura efetivada através do sentido da existência humana bem como da busca de significado pelo próprio homem (Xausa, 1986; Frankl, 1995).

Frankl foi discípulo de Freud, Adler, Pötzl, Schwartz, Geslermann e Allers, passando sua relação com Freud da admiração à contestação; já o seu vínculo com Adler foi interrompido quando Frankl foi expulso da Sociedade Adleriana, ao tentar explicar a neurose como uma necessidade profunda de significado. Nessa mesma época, por volta de 1926, utilizou pela primeira vez o termo logoterapia, ao expressar questionamentos sobre o sentido da vida em uma conferência proferida em Viena. Nos anos seguintes, Frankl se dedicou a construir centros de consultas para os jovens que necessitavam de ajuda psicológica e moral e a neles trabalhar, objetivando reduzir os altos índices de suicídio na Áustria, com o apoio de alguns psicoterapeutas renomados (Frankl, 1995).

O fundador da logoterapia travou uma luta contra o niilismo – negação dos valores e da liberdade do homem –, o pandeterminismo, que concebe que o homem não teria nenhuma liberdade, e contra o reducionismo biopsíquico, que reduz o ser humano a nada mais que um produto do psicofísico. Com o intuito de construir uma teoria que trouxesse um embasamento mais humano para a psicoterapia, Frankl fundamentou sua teoria em três correntes filosóficas – a fenomenologia, o existencialismo e o personalismo (Xausa, 1986).

A terapia do logos é uma abordagem que procura adentrar em um campo mais amplo que abarque completamente o íntimo do ser humano bem como o mundo que o circunda (Lukas, 1986), ou seja, sua própria realidade, na qual o homem busca razões para agir e encontrar sentido nas diversas circunstâncias de sua vida (Xausa, 1986).

Isaac Newton, certa vez, afirmou:

“Se consegui enxergar mais longe, é porque procurei ver acima dos ombros dos gigantes” (1959, p. 416). Essa imagem foi mais tarde retomada no século XX por Viktor Frankl quando concebeu a logoterapia. Frankl também teria subido nos ombros de seus mestres, Freud e Adler, para enxergar que o ser humano possui mais do que uma vontade de prazer e uma vontade de poder (Frankl, 2003a). Dessa forma, o autor em foco descobre no ser humano uma vontade de sentido, considerado uma atração do ser humano para com os valores. Essa preocupação é concebida como autêntica, e não como epifenômeno. Logo, segundo o existencialismo frankliano, a busca de sentido é o centro gravitacional da existência humana bem como o principal fator de proteção à saúde da dimensão psicofísica (Frankl, 1978).

No giro de uma psicologia associacionista e pandeterminista para uma psicologia humanista, Frankl (2003a) redescobre uma vontade livre. Para esse teórico, o ser humano não é livre de condições, mas livre para se posicionar perante os fatores determinantes da existência, pois, afinal, o homem também é influenciado por forças ambientais, biológicas e psicológicas, mas, de forma antagônica, pode vir a se posicionar perante sua condição no mundo. Para Frankl (2005), o ser humano não apenas reage aos contingentes internos e externos, mas responde a eles, e, ao escolher dar uma resposta à vida, torna-se responsável pelo que vai ser no momento seguinte. Dessa forma, a liberdade e a responsabilidade constituem as duas características essenciais dos fenômenos humanos (Frankl, 1978).

Para continuar lendo o artigo, clique aqui.

[line]

Deixe uma resposta