Atitude religiosa e sentido da vida: um estudo correlacional

Por Thiago Antônio Avellar de Aquino, Amanda Pereira Moreira Correia, Ana Laura Câmara Marques, Cristiane Gabriel de Souza, Heloísa Carolina de Assis Freitas, Izabela Ferreira de Araújo, Poliana dos Santos Dias, Wilma Fernandes de Araújo.

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[dc]A[/dc]o longo da história da humanidade, muitas têm sido as formas pelas quais o homem tem buscado preencher a necessidade de busca de sentido. Dentre as diversas maneiras, é possível citar: a arte, a música, a ciência e a religião. O tema religiosidade – apesar de estar sendo trabalhado por autores como Antal (1981), Massimi e Mahfoud (1997) e Pintos (2007), dentre outros – tem sido pouco discutido nas Academias, por isso concebe-se que o mesmo permitiria trilhar um caminho que levasse a refletir sobre o papel da religiosidade na vida do ser humano.

A Psicologia, mesmo tendo surgido vinculada ao modelo de ciência natural, empíricobiológica, consagrou-se como a ciência que estuda o comportamento humano, e, nesse sentido, é notável que desde o início tenha se preocupado em estudar o comportamento religioso, quando ainda não se falava em espiritualidade.

De acordo com Paiva (2005), a primeira manifestação para o estudo da espiritualidade se deu na escola de Nijmegen, na Holanda, tendo se popularizado na cultura norteamericana, a partir dos anos 60, época que coincidiu com o surgimento da Psicologia humanista, cuja idéia de espiritualidade se desvinculava da tradicional concepção de Espírito Santo e adotava a crença em um espírito humano, humanista, capaz de intuição, de afeto e de atualização de seu potencial (Rican, 2004).

Seguindo essa mesma linha de pensamento, a psicologia anglo-saxã demonstrou um verdadeiro fascínio pelo estudo empírico da espiritualidade (Paiva, 2005). Saroglou (2002), interroga se a espiritualidade não seria o sexto big factor da personalidade, enquanto Pargament (1999), sugere mudar o nome Psicologia da religião para Psicologia da espiritualidade. Segundo este autor, a espiritualidade seria a busca de sentido, de unidade e de transcendência, e a religião se definiria pelo organizacional, o ritual e o ideológico. No entanto, para ele, o pontochave dessa questão estaria no conceito de sagrado, que possibilitaria a unificação entre religião e espiritualidade, uma vez que a religião é a busca de significado pela via do sagrado e a espiritualidade, “a busca do sagrado”; assim, a espiritualidade seria a função central da religião (Pargament, 1999, como citado em Paiva, 2005).

Contrário ao pensamento de Pargament, Saroglou faz uma distinção entre espiritualidade e religião por considerar que a última se compõe de ritual, regras éticas específicas, doutrinas/crenças e aspectos emocionais. Corroborando essa idéia, Paiva, baseando-se no uso social dos termos, também diferencia Psicologia da religião de Psicologia da espiritualidade, tendo em vista que, por tradição, na cultura ocidental, a Psicologia da religião se relaciona com um ser transcendente, Deus. “Para Vergote, a Psicologia da religião não tem como objetivo o desejo de atingir uma liberdade interior e de encontrar para a vida um sentido que liber ta do racionalismo estreito e das concepções tristemente utilitárias” (Paiva, 2005, p. 42).

A idéia apresentada por Vergote estaria mais próxima de uma psicologia da espiritualidade, uma vez que, historicamente, a Psicologia da religião se constitui a partir de uma visão bíblica, não tendo assimilado, até então, um objeto divino sui generis, como atualmente se verifica. Ao defender, também, a idéia de espiritualidade, Solomon especifica que a espiritualidade não necessariamente se associa à crença na existência de Deus, mas a uma atitude natural do ser humano, que se reflete no “amor bem pensado à vida”, significando busca de autonomia, respeito à singularidade individual, construção pessoal, recusa da rigidez, do autoritarismo e da alienação, o que é condizente com o aprimoramento humano (Solomon, 2003, citado por Paiva, 2005). É dessa complexidade de aspectos que, segundo Amatuzi (2000), surge a idéia do homo religiosus.

Vergote define religiosidade como uma atitude perante algo ou alguém bem como uma forma de imprimir sentido aos fenômenos percebidos no mundo e em si mesmo, representada por palavras ou comportamentos expressos por meio da experiência subjetiva (Paiva, 2005). Corroborando esse pensamento, Rolo May assevera que “a atitude religiosa da pessoa reside na convicção de que há valores na existência humana dignos de que se viva e morra por eles” (May, 1991, p. 174).

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