A Visão de Homem em Frankl

Por Emiliana Aparecida de Souza, Eliseudo Salvino Gomes. Pós-graduação em Análise Existencial e Logoterapia de Viktor Emil Frankl – PUCPR.

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[dc]S[/dc]er humano! O ser humano é um ser essencialmente racional, capaz de pensar ideias. Você já ouviu ou leu algo parecido?

Tradicionalmente, o ser humano era conceituado como ser essencialmente racional; tal conceito sofreu uma evolução, a partir das descobertas científicas e tecnológicas. O homem era considerado um ser dotado de corpo e alma, havia um dualismo; o material e o espiritual. Com a modernidade; revolução tecnológica, a sofisticação dos meios de comunicação, os povos se aproximaram, exploraram as artes, forjaram parcerias, apaziguaram diferenças políticoideológicas, e esse fluxo de ideias, pessoas e capitais gerou uma padronização de valores, costumes e princípios que poderá levar o homem contemporâneo a correr o risco de desconhecer sua imagem primeira, pois se encontra ante uma multiplicidade de opções que podem configurar sua vida, embora não seja estas cargas de tensões a comprometê-lo, antes sim, a falta de busca e a luta por um objetivo, uma tarefa escolhida livremente que valha a pena, como diz Frankl (1985):

O que o ser humano realmente precisa não é um estado livre de tensões, mas antes a busca e a luta por um objetivo que valha a pena, uma tarefa escolhida livremente. O que ele necessita não é a descarga de tensão a qualquer custo, mas antes o desafio de um sentido em potencial à espera de seu cumprimento. O ser humano precisa não de homeostase, mas daquilo que chamo de “noodinâmica”… Ouso dizer que nada no mundo contribui tão efetivamente para a sobrevivência, mesmo nas piores condições, como saber que a vida da gente tem um sentido. Há muita sabedoria nas palavras de Nietzsche: “Quem tem um por que viver pode suportar quase qualquer como” (pp. 95-96)

Na Logoterapia, há o pressuposto intransigente de que, não importa qual seja a situação concreta do indivíduo, sempre haverá uma “resposta certa”, sempre se poderá, incondicionalmente, viver com sentido, diante das “perguntas” da vida: “E no fundo estamos convencidos de que não há situação que não encerre uma possibilidade de sentido. Em grande parte esta nossa convicção é tematizada e sistematizada pela Logoterapia” (Frankl, 1981, p. 115). Não podemos, portanto, perguntar pelo sentido, já que este reside na resposta [verantworten] que nós temos que dar.

A existência é algo que se constitui e que se pode reler, reorganizar e escolher novamente. Há, então, uma inquietação com relação à vida no ser humano que, com frequência, pergunta pelo sentido do seu existir. Mais do que existir deve haver um por que existir. Esse porquê existir é que poderá dar base e sustentação para que se suporte a vida em suas incertezas.

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