A resiliência no indivíduo especial: uma visão logoterapêutica

Por Silvana Canalhe Garcia. Universidade Federal de São Carlos/UFSCar/SP.

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[dc]E[/dc]studos na área de psicopatologia do desenvolvimento têm propiciado o surgimento de novos conceitos que permitem um novo olhar sobre os indivíduos que passam por adversidades. Uma deficiência congênita, desenvolvida posteriormente ou adquirida em algum momento da vida, é algo que pode ser definido como uma adversidade (GROTBERG, 2004).

A resposta frente a uma situação inesperada difere muito entre as pessoas. Alguns se sentem desolados e desesperam-se, outros encontram forças para superar. Então surge a questão: “O que faz umas pessoas mais fortes do que outras?”.

Na teoria logoterapêutica de Viktor Frankl (1905-1990), todo ser humano tem um potencial para resistir e conta com fortalezas em seu interior que lhe permite superar situações adversas à medida que elas vão se apresentando ao longo da vida. Mais recentemente, as investigações realizadas sobre resiliência proporcionam elementos para entender, dar sentido, aprender a fortalecer e enfrentar satisfatoriamente as experiências adversas.

Resiliência é um termo próprio da física e se refere à capacidade dos corpos responderem a choques, golpes ou pressão, comprovando a resistência do material frente ao impacto. Mede a capacidade do corpo para recuperar-se, retroceder e reassumir sua forma e tamanho original depois de ser comprimido, apertado, dobrado ou esticado. A fragilidade é tanto menor, quanto maior é a resiliência. O termo, assumido pelas ciências sociais, refere-se à capacidade que uma pessoa, sistema ou organização tem para resistir a situações difíceis ou mudanças provocadas em seu entorno (KOTLIARENCO, CACERES,; FONTECILLA, 1997). Neste âmbito, a resiliência é mais que o fato de suportar uma situação traumática, pois consiste, também, em reconstruir-se, em comprometer-se numa nova dinâmica da vida (VANISTENDAEL,; LECOMTE, 2004)

A resiliência tem sido examinada de forma sistematizada no decorrer das últimas décadas a partir de trabalhos desenvolvidos com crianças expostas a múltiplos riscos psicossociais em seus ambientes. Um dos trabalhos iniciais pertenceu a Werner (1989). A partir de 1955, foram realizados 40 anos de observação em inúmeras famílias do Havaí desde o nascimento dos filhos até sua idade adulta com o objetivo de monitorar efeitos dos fatores de risco e os fatores de proteção que operam durante os anos de desenvolvimento de indivíduos que fazem parte de populações de “alto risco”. A proposta inicial era investigar os efeitos cumulativos da pobreza, do estresse perinatal e dos “cuidados familiares deficientes” no desenvolvimento físico, social e emocional das crianças ao longo da vida. Em 72 crianças, 33% foram identificadas como sendo de risco devido à exposição a quatro ou mais fatores de risco incluindo pobreza, stress pré-natal, discórdias familiares e baixa escolaridade dos pais. No entanto, 10% desse grupo de alto risco não desenvolveram problemas de aprendizagem ou de comportamento, o que foi considerado como “sinal de adaptação ou ajustamento”. Posteriormente, deu-se o nome de resilientes a esses indivíduos. Os fatores que discriminaram o grupo resiliente, tanto nos trabalhos iniciais como posteriores, incluíam: temperamento das crianças (percebidos como afetivos e receptivos), melhor desenvolvimento intelectual, maior nível de auto-estima, maior grau de autocontrole, famílias menos numerosas e menor incidência de conflitos nas famílias (WERNER, 1993).

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