A pessoa com deficiência e o sentido da vida

Por Paulo Kroeff. Associação Brasileira de Logoterapia e Análise Existencial (ABLAE).

deficiência, logoterapia, sentido da vida

[dc]L[/dc]ogoterapia criada por Viktor Frankl é um sistema de psicoterapia, mas pode ser também vista como uma filosofia de vida. Neste sistema, considera-se que a força motivacional básica do ser humano é a busca e a realização de sentido (Frankl, 1991). Para Frankl, o que principalmente motiva o ser humano não é o desejo de obter prazer, poder, auto-realização ou de encontrar diretamente a felicidade. O ser humano deseja encontrar algo significativo em sua vida e sentir que está se dedicando a concretizar este algo; daí poderia decorrer sua experiência de felicidade. Pode ser uma obra a realizar; pode ser alguém com quem conviver. Pode ser uma atitude a tomar. O ser humano quer sentir que a vida vale a pena ser vivida. Muitos filósofos e psicoterapeutas existencialistas compartilham dessa visão. Camus (1999), filósofo existencialista francês, em um de seus livros, traz para o centro do debate a questão do valor e do sentido da vida: “Julgar se a vida vale ou não a pena ser vivida equivale a responder à questão fundamental da filosofia” (p. 13). E prossegue: “Julgo, pois, que o sentido da vida é a mais premente das questões” (p.14), reconhecendo que esta questão é tão essencial que, muitas vezes, é o centro da preocupação de grandes escritores: “Todos os personagens de Dostoyevski se interrogam sobre o sentido da vida.” (p. 136).

Para dar sequência a este trabalho, a temática expressa no título será subdividida. Serão abordados, inicialmente, os conceitos de pessoa e de sentido de vida, segundo a Logoterapia; depois, será caracterizado o conceito de pessoa com deficiência; e, finalmente, serão abordadas algumas questões do sentido da vida aplicado à pessoa com deficiência.

O CONCEITO DE PESSOA E DE SENTIDO DE VIDA NA LOGOTERAPIA

Para Frankl, “o homem é, no fundo, um ser em busca de sentido”. (Frankl, 1990, p. 16). Além disso, inserindo-se na linha filosófica do existencialismo, Frankl também acrescenta que “ser-homem equivale a ser consciente-e-responsável.” (Frankl, 1967, p.13). Estas caracterizações do ser humano são importantes porque estabelecem sua motivação básica e suas características essenciais. Só se pode ser responsável se se é livre. O ser humano aspira realizar sentidos e os concretiza ao usar sua liberdade para fazer as escolhas que pautarão sua vida, e por estas escolhas, e suas conseqüências, assume-se como plenamente responsável. Quando Frankl fala de liberdade, ele não se refere a uma liberdade ilimitada, no sentido de que o ser humano poderia realizar qualquer coisa que quisesse. Ele reconhece limitações físicas, psicológicas, econômicas e sociais que diminuem o espaço de liberdade e de escolhas, mas que jamais eliminam completamente a liberdade de opções do ser humano. Sempre há algo que pode ser escolhido, nem que seja a atitude a tomar quando todos os espaços de liberdade tenham sido extremamente reduzidos. Frankl se refere a este espaço de liberdade que sempre permanece como a “última das liberdades humana”, a possibilidade de escolher uma atitude. Frankl também se refere às limitações como restrições à “liberdade de” (de fazer algo), ressaltando que sempre permanece a “liberdade para” (para tomar uma atitude frente à limitação). Ou seja, “pode-se privar a pessoa de tudo, menos da liberdade última de assumir uma atitude alternativa frente às condições dadas.” (Frankl, 1991, p. 66).
Considerando tudo isto, conclui Frankl (1990b, p. 118): “o homem é sua liberdade. Aquilo que apenas tem poderá perder. A liberdade, porém, é característica permanente e definitiva do homem. Mesmo que a ela renuncie, o próprio ato dessa voluntária renúncia acontece na liberdade.”

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