A medicalização da vida e os mecanismos de controle: reflexões sobre o TDAH

Por Tatiana de Andrade Barbarini. Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

infância, medicalização, psicologia, psiquiatria, TDAH, pdf

[dc]A[/dc] sociedade atual exige cada vez mais de seus membros comportamentos racionais e individuais, voltados ao trabalho e ao sucesso. Flexibilidade, desapego emocional, produtividade e eficiência são algumas das características exigidas dos indivíduos (Lima, 2005), inclusive das crianças, para quem o fracasso escolar é o principal sinal de que seu desempenho está abaixo do esperado. Isso evidencia que as crianças, desde muito cedo, são submetidas a ambientes competitivos, nos quais há comparação, classificação e punição dos “inadaptados”.

Por muito tempo, a família, a escola e a Nação foram os responsáveis pelo cuidado e pela educação das crianças, mas outros atores entraram no palco do mundo infantil: os profissionais de saúde. Em situações em que os problemas da infância não são resolvidos por pais ou professores, a medicina e, no caso especial do objeto de estudo deste artigo, a psiquiatria assumem o papel social de apresentar as ferramentas e soluções mais adequadas. É o que acontece com o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH).

Definido pela literatura especializada – psicologia, neurociências, psicopatologia e, principalmente, psiquiatria – como um transtorno mental (psiquiátrico) que se desenvolve em crianças antes dos sete anos de idade e que pode ou não prevalecer durante a adolescência e a vida adulta, o TDAH é indicado como a causa mais comum da presença de crianças em consultórios e ambulatórios psiquiátricos no Brasil, atualmente.

Na quarta edição revisada do Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais (DSM-IV-TR) – guia psiquiátrico que contém informações sobre os mais diversos transtornos mentais estudados e classificados, publicado pela Associação Americana de Psiquiatria (APA) –, estima-se que entre 3% e 5% da população escolar estadunidense seja portadora do transtorno (APA, 2002).

Segundo Lima (2005), essa estimativa também se aplica ao Brasil, embora os dados não sejam precisos, e se acredita que muitas crianças ainda não foram diagnosticadas.

Para continuar lendo o artigo, clique aqui.

[line]

Deixe uma resposta