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A depressão no teste das Pirâmides Coloridas de Pfister

Por Anna Elisa de Villemor Amaral, Ricardo Primi, Flávia Helena Zanetti Farah, Sandra Mônica da Silva, Lucila Moraes Cardoso, Renata da Rocha Campos Franco. Universidade São Francisco.

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O teste das Pirâmides Coloridas de Pfister é um instrumento usado em diagnósticos há mais de 50 anos, tanto em pesquisas quanto na clínica, tendo uma boa aceitação pelos profissionais do campo da psicologia. Entretanto, trabalhos relativos à psicopatologia são raros (Villemor Amaral, 1978) e por meio de uma verificação bibliográfica constata-se que muito poucas publicações foram feitas recentemente. Encontram-se alguns trabalhos relacionados às aplicações dessa técnica nos diversos campos da psicologia (Bauer, 1979.) principalmente na clínica e na área da saúde mental (Carnio & Loureiro, 1993; Oliveira, Pasian & Jacquemin, 2001), mas, praticamente, inexistem pesquisas que visem à validação desse instrumento para diagnóstico diferencial. Por se tratar de um instrumento não verbal e relativamente lúdico, não exigindo habilidades específicas, o teste de Pfister é bastante útil quando se trata de apreender a dinâmica afetiva do paciente, principalmente no caso de indivíduos com dificuldade de expressão verbal ou gráfica.

O significado afetivo das cores é algo reconhecido amplamente na cultura e as noções sobre as relações entre cores e afetos sempre estiveram presentes no simbolismo das manifestações artísticas, rituais religiosos, bem como no senso comum. Há, no entanto, muito a ser pesquisado com vistas a comprovar cientificamente essas noções. Desde que Rorschach desenvolveu seu método psicodiagnóstico, atribuindo valor muito importante para as respostas de cor como representantes da afetividade (Rorschach, 1972), descobriu-se o sentido inegável do estímulo cromático no campo das emoções, faltando ainda compreender e verificar de modo mais sistemático as possíveis relações entre diferentes cores e diferentes afetos.

No senso comum as cores tem um significado bastante marcado, como é o caso, por exemplo, da cor preta que simboliza, na cultura ocidental, luto, morte e tristeza, remetendo, inevitavelmente, aos sentimentos presentes na depressão. Já em relação às cores vivas, estas lembram energia e alegria.

Do ponto de vista científico, há pesquisas que estabelecem correlações entre os aspectos sensoriais e os estados depressivos, fazendo referências à cor e a sensorialidade. Estevão (1997), em seu estudo sobre a depressão, afirma tratar-se de um estado de luto muito primitivo, manifestado sem culpa e caracterizado por uma lentificação e insensibilidade da sensorialidade, acompanhada por apatia, tristeza e sensações de impotência e desesperança. Para esse autor, mesmo a intensidade das cores esmaece, assim como o claro-escuro, dando lugar a uma tonalidade cinza, sem contrastes. Os cheiros param de ser percebidos, as texturas deixam de ser registradas, os sons ficam amortecidos e podem até desaparecer. Os processos fisiológicos se alteram e os movimentos corporais ficam mais lentos.

Do ponto de vista epidemiológico, verifica-se que é cada vez maior o número de pessoas deprimidas em todo o mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde, 10 a 15 % da população mundial sofrerá de depressão no decorrer da vida (Gauer, 1998). Há alguns fatores que podem explicar esse aumento como, por exemplo, a exigência do mundo de hoje que cultiva apenas a produção e a eficácia, esquecendo o ser humano (Berlinck & Fedida, 2000); alterações das condições de vida dos indivíduos que impõem esforços enormes a cada pessoa (Nuber, 1991) e o contato com a dura realidade que faz com que o indivíduo, para se proteger desse contato tão frustrante e ameaçador, desenvolva a depressão como recurso de autodefesa (Estevão, 1997).

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