A adaptação do BBT para o contexto sociocultural brasileiro

Por Erika Tiemi Kato Okino, Mariana Araujo Noce, Renata de Fátima Assoni, Camila de Toledo Corlatti, Sonia Regina Pasian, André Jacquemin. Universidade de São Paulo – Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto.

[dc]A[/dc] prática profissional do psicólogo, seja na clínica, em escolas ou em outras instituições, exige diferentes técnicas e formas de abordagem, dependendo do objetivo estabelecido e do resultado que se pretende alcançar. Deste modo, quando se pretende realizar, por exemplo, um processo de Orientação Profissional com adolescentes ou adultos, os profissionais geralmente utilizam técnicas que visam auxiliar este trabalho e tornar mais claros e conscientes os interesses e a inclinação profissional do orientando. Assim, durante as sessões, são trabalhados temas referentes aos elementos externos e internos que influenciam a escolha, bem como o auto conhecimento, as informações sobre as profissões e o mundo do trabalho.

Dentre os vários métodos para a atuação em Orientação Profissional destacam-se entrevistas, dinâmicas de grupo, testes de inteligência e aptidão, inventários de interesse e técnicas projetivas. Todas essas técnicas complementam-se para que o processo seja realizado de maneira a auxiliar o orientando a compreender melhor suas necessidades, motivações e inclinações profissionais.

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Para auxiliar esta compreensão, alguns profissionais utilizam as técnicas projetivas. Segundo Anzieu (1986), entende-se por técnica projetiva um instrumento de investigação da personalidade no qual o sujeito encontra-se livre para realizar diversas possibilidades de interpretações do material que lhe é apresentado, permitindo-se alcançar conteúdos conscientes e inconscientes, que são trazidos ao exterior por meio da projeção. Desta forma, o resultado obtido com a utilização do teste projetivo possibilitaria uma leitura desses conteúdos, de modo que o protocolo de respostas seria representativo da estrutura e/ou do funcionamento da personalidade do sujeito.

No trabalho com testes de avaliação, é de fundamental importância a consideração de aspectos referentes à adaptação dos instrumentos ao contexto sociocultural no qual serão utilizados. Isso implica numa postura profissional criteriosa quanto à padronização na aplicação do instrumento e à normatização na interpretação dos dados obtidos, para que os resultados sejam confiáveis.

No caso das técnicas projetivas, esses critérios devem ser mantidos, porém existem algumas peculiaridades que as distinguem quanto ao manejo em relação aos testes psicométricos. Segundo Anzieu (1986) e Cunha e Nunes (1996), o método de enfoque projetivo se diferencia do método que fundamenta os testes psicométricos pela ambigüidade do material apresentado, pela liberdade que o sujeito tem para responder, por não haver respostas certas e erradas e nem limitação de tempo para a aplicação. Além disso, de acordo com Pasquali (2001), a diferença fundamental entre os testes psicométricos e os testes projetivos é que os primeiros baseiam-se na teoria da medida (psicometria), propondo-se a medir os atributos dos indivíduos, enquanto que os testes projetivos baseiam-se na descrição lingüística, propondo-se a caracterizar os traços dos indivíduos.

Dentre as técnicas projetivas possíveis de serem utilizadas dentro do processo de Orientação Profissional/ Vocacional, encontra-se o BBT (Berufsbilder-Test – Teste de Fotos de Profissões). Elaborado por Martin Achtnich, na Suíça, em 1971 (versão masculina) e 1972 (versão feminina), o BBT é um método projetivo para clarificação dos interesses profissi-onais (Achtnich, 1991). O material é composto por 96 cartões/fotos onde estão representadas pessoas exercendo atividades profissionais, sendo apresentado em duas versões: masculina e feminina.

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